EVANGELHO DO DIA E HOMILIA – O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

III DOMINGO DA PÁSCOA – NO PARTIR DO PÃOVÍDEO NO PARTIR DO PÃO

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                                                                                      Pe. Lucas – No Partir do Pão – Lc 24, 13-35 –Sabemos todos que o principal argumento para demonstrar a Ressurreição de Jesus não é o fato de o sepulcro ter sido encontrado vazio, como encontraram Maria Madalena com suas companheiras, e os apóstolos Pedro e João. A rigor se poderiam imaginar outras hipóteses para explicar essa ausência do corpo lá onde ele tinha sido sepultado.Até a hipótese de um piedoso furto, como quiseram forjar os sumos sacerdotes, pagando uma vistosa quantia aos soldados que ficaram de guarda para dizerem que, enquanto eles estavam dormindo, tinham vindo os discípulos e tinham levado o corpo. Mateus o conta, acrescentando que a notícia correra o mundo até aos dias em que se estava escrevendo o evangelho (Mt 28, 12-15) .Santo Agostinho ironiza sobre essa “infeliz astúcia” de apresentarem testemunhas que estavam dormindo.A declaração do anjo às piedosas mulheres já encaminha a solução verdadeira: Jesus ressuscitou. E não deve ser procurado entre os mortos, pois Ele está vivo. Porém a grande prova de que Jesus havia ressuscitado são as numerosas aparições que foram acontecendo. A várias pessoas e em vários lugares. Por isso é que a Igreja nos vai recordando várias delas, no decorrer da celebração da liturgia do Tempo Pascal.Maravilhosa é entre todas a aparição a dois discípulos no caminho de Emaús, no próprio dia da Ressurreição. A narração de São Lucas é tão bela e tão impregnada de sua grande sabedoria de psicólogo, que, como nota o Padre Ricciotti na sua “Vida de Jesus”, seria uma grande perda tentar apresentá-la em outra redação. O melhor é lê-Ia uma e mais vezes na primorosa redação de Lucas (Lc 24, 13- 35). Na Liturgia ela é lida nas missas vespertinas do próprio dia de Páscoa e no terceiro domingo da Páscoa. Vale a pena ler e reler.E nessa leitura iremos descobrir uma agradável verdade, que vale também para a leitura das outras aparições: Jesus continua a pregação do Evangelho nesta sua segunda vida. E prega, nos quarenta dias em que se fez ver ainda na terra, coisas maravilhosas. E prega maravilhosamente.Vamos salientar três grandes verdades que aparecem no encontro com os discípulos no caminho de Emaús. A primeira verdade é que não nos devemos apoiar em falsas esperanças. “Nós esperávamos -disseram os discípulos -que seria Ele quem iria redimir Israel” (Lc 24,21 ).Era aquela falsa esperança de que Jesus fosse um Messias político, que iria libertar Israel do jugo dos romanos. Apesar das muitas vezes em que Jesus tinha falado do verdadeiro sentido de sua missão, muitos não tinham sido capazes de entender.E assim se sentiam profundamente desiludidos com a morte de Jesus, de maneira tão humilhante e tão dolorosa. E, como não tinham ainda notícia da Ressurreição -por enquanto eram só boatos ouvidos das mulheres -sentiam- se desolados.Todos nós podemos estar sujeitos a alimentar também falsas esperanças. E podemos encontrar em nosso caminho muita gente desiludida na fé e na religião, por se ter baseado em falsas interpretações da verdade. Cabe ao zelo do coração cristão tirar caridosamente tais pessoas de sua posição equivocada, e iluminar-lhes o espírito, como fez o divino “Peregrino” do caminho de Emaús.O recurso para isso -e é a segunda verdade que o episódio nos ensina -é a Palavra de Deus, exatamente como fez Jesus, “começando por Moisés e por todos os profetas” (v. 27).Hoje temos, além de Moisés e dos profetas, toda a riqueza dos evangelhos e de todo o Novo Testamento. É a mina inesgotável da Palavra, que a Igreja nos põe nas mãos. Nenhuma fonte mais rica nem mais consoladora do que essa “para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça”, como se lê na segunda carta a Timóteo (2 Tm 3, 16) .O verdadeiro cristão deve estar bem familiarizado com a Palavra de Deus, para ser capaz de sugerir no momento oportuno o remédio a quem sofre a tristeza e o desânimo. E quem souber usar sabiamente desse remédio, fará prodígios.E há uma terceira lição: conheceram a Jesus no partir do pão. No rito familiar de “abençoar o pão, parti-lo e distribuí-lo”, viram que era Jesus que estava com eles.Assim acontecerá conosco, se convivermos fraternalmente com nossos irmãos e – especialmente! – se soubermos repartir o pão a quem estiver precisando. Jesus estará conosco de verdade!Leituras do III Domingo da Páscoa -Ano A:

1a)At 2, 14.22-28

2a) 1Pdr 1, 17-21

3a) Lc 24, 13-35