EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

UM MENINO E SUA MÃE – HISTÓRIA VERÍDICA – PADRE LUCAS – VÍDEO –

IV Domingo da Páscoa -ANO C

O SENHOR É O MEU PASTOR

Nascida no meio de um povo de pastores, nada mais natural que a Bíblia aplique a Deus e aos dirigentes do povo o título de “pastor”. A Deus, sobretudo, esse título é aplicado com uma elaboração muito rica no clássico salmo 22: “O Senhor é meu pastor”.

Com o carinho de um solícito pastor de ovelhas, Deus cuida de seu povo. Seus cuidados são bem simbolizados no cuidado do pastor, que guia suas ovelhas, leva-as para fontes de águas tranqüilas e para pastagens verdes. Seu cajado lhes dá confiança. Embora caminhem por vales sombrios, não sentem medo: estão protegidas contra as feras e contra os assaltantes. Todas essas imagens são depois transferidas para Jesus. Ele próprio se declara “o bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas”. E fala da Igreja como de um grande rebanho, que é preciso manter unido. E fala de seu zelo em reconduzir ao redil a ovelha desgarrada.

Á luz da Páscoa, reaparecem essas imagens neste quarto domingo, que é chamado o “domingo do Bom Pastor”, e é consagrado pela 19reja como o “dia mundial de oração pelas vocações”. No desejo – é óbvio – de que surjam no povo de Deus muitas vocações sacerdotais e religiosas, e que em todas elas se torne presente a imagem multiplicada do Bom Pastor.

Não faltam pessoas, principalmente entre os jovens, que não acolhem com muita simpatia a imagem do pastor e do rebanho. Ficam com a ideia de que se está inculcando na comunidade cristã uma atitude de passividade e de inconsciência como a dos carneiros de um rebanho. Nada mais falso! Os discípulos de Cristo são iluminados pela luz da verdade. E a verdade liberta. Sua obediência é uma obediência lúcida.

De quem sabe que está sendo guiado por um chefe sábio e rico de bondade. 0 que se quer indicar é a dedicação total do pastor, e a segurança tranqüila das ovelhas por ele guiadas. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz – diz Jesus; e eu as conheço e elas me seguem. Eu Ihes dou a vida eterna: elas não perecerão Jamais, e ninguém as arrancará de minha mão” (Jo 10, 27 -28).

Essa reciprocidade de dedicação e confiança, que caracteriza o relacionamento de Jesus com seus discípulos e o exemplo que cada pastor da Igreja deve ter diante dos olhos. Uma dedicação total, que leva a dar a vida pelo rebanho; senão na grandiosidade trágica da crucifixão no Calvário, ao menos nos sacrifícios pequeninos de cada dia, onde todos os valores do espírito e todas as energias do corpo se vão gastando para o bem dos fiéis.

E assim nascerá neles a confiança, por descobrirem que seus pastores não desejam outra coisa senão seu bem no tempo e na eternidade.

Um dia o rebanho estará transportado para a vida eterna que Cristo já Ihes dá em germe aqui na terra e que um dia será consumada no céu. O Vidente do Apocalipse contemplou essa “imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, raças, povos e línguas, de pé diante do Trono e diante do Cordeiro, vestidos com vestes brancas e com palmas nas mãos”. E um ancião dos que rodeiam o trono de Deus lhe explicou que “esses são os que vêm da grande tribulação: eles lavaram as suas vestes e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro…

Nunca mais sofrerão fome nem sede; jamais serão acabrunhados pelo sol nem pelo vento ardente. Pois o Cordeiro que está no meio do Trono será o seu Pastor, e os conduzirá às fontes de água viva. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos” (Ap 7, 9-14.16-17). É o eco da terra no céu. E de novo a figura do Pastor- que é o divino Cordeiro – na mesma atitude de guiar o rebanho na segurança e na paz. Primores dos mistérios de Deus!

 

Vale a pena sublinhar que, nessa visão do céu, os bem- aventurados estão na atitude de prestar adoração e louvor diante do Trono de Deus e do Cordeiro. Honras iguais. “Glória ao Pai e ao Filho”, como dizemos tantas vezes em nossa oração. Como disse Jesus no final do trecho evangélico que estamos lendo na liturgia de hoje: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10, 30).

LEITURAS do IV Domingo da Páscoa – Ano C:

1a)At 13, 14.43-52

2a) Ap 7, 8. 14b-17

3a) Jo 10, 27-30