EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE

PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

Das riquezas do bom coração –

DAS RIQUEZAS DO BOM CORAÇÃO – VIII DOMINGO DO TC – VÍDEO DO PADRE LUCAS
https://youtu.be/XMB0Ws_teMM

Evangelho – Lc 6,39-45

Naquele tempo, 39Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?  40Um discípulo não é maior do que o mestre; todo discípulo bem formado será como o mestre. 41Por que vês o cisco no olho do teu irmão, e não percebes a trave que há no teu próprio olho? 42Como podes dizer a teu irmão: irmão, deixa-me tirar o cisco do teu olho, quando tu não vês a trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás enxergar bem para tirar o cisco do olho do teu irmão. 43Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

VIII Domingo do Tempo Comum -ANO C- DAS RIQUEZAS DO BOM CORAÇÃO

Ao ler a página do evangelho de São Lucas deste VIII domingo do Tempo Comum, que contém ensinamentos que fazem parte das doutrinas do Sermão da Montanha, tenho vontade de inverter a ordem do texto e começar pela última afirmação: “O homem de bem tira o bem do tesouro de bondade que é o seu coração, ao passo que o homem mau tira de seu coração as coisas más que lá estão. Uma vez que a língua fala daquilo de que está cheio o coração” (Lc 6,45). Jesus é esse homem bom por excelência, cujo coração é um escrínio de toda a bondade, de toda a verdade, de toda a justiça, do perfeito amor. E, quando sua boca se abre, é para nos dizer palavras de bondade, de verdade, de justiça e de amor. Se o mundo as ouvisse e as guardasse, estaria aprendendo da escola do bem total, e se encontraria no caminho da perfeita felicidade. E nem precisaria de outros mestres, a não ser aqueles que lhe viessem tornar mais próximas as palavras desse supremo Mestre. Como o fazem Lucas e os outros escritores do Evangelho.

Do tesouro de sabedoria desse divino Coração estamos recebendo hoje com a Igreja três lições, ao mesmo tempo singelas e profundas. A primeira se refere ao dever que tem aquele que ensina, de saber bem aquilo que ensina. Senão, seria como um cego pretendendo guiar outro cego: ambos cairiam numa cova (vv. 39 e 40). Tão simples! Mas de tanto alcance! E sempre tão atual! Como é que um mestre incompetente pode ensinar aos alunos as lições de ciência que ele deve aprender? E mais grave ainda – como poderia plasmar o coração de seus alunos nos moldes da dignidade e da virtude, se ele próprio não estivesse imbuído dos mais altos princípios da bondade? E isto é preciso que se diga, porque um professor, nunca é apenas alguém que ensina ciência. Ele é também – consciente ou inconscientemente – um educador, correndo o risco de ser, pela sua deficiência, um deseducador. 0 aluno, à medida que vai aprendendo as lições de geografia, de matemática ou de línguas, vai sorvendo lições de comportamento humano, pelo modo de ser do professor, por suas convicções que vêm à tona na sua linguagem. É sábia a norma que diz que o mestre ensina muito mais pelo que ele é, do que pelo que ele diz. O que é infinitamente mais verdadeiro  ainda, quando se fala dos pais em relação ao que eles ensinam a seus filhos. Feliz do filho cujo pai é um sábio, da sabedoria do bom senso e da retidão, mesmo que lhe falte a ciência da escola e dos livros!

A segunda lição que nos está dando hoje o Divino Mestre, é a que poderíamos chamar o dever da coerência. Jesus pergunta como poderia alguém pretender retirar uma palhinha que estivesse no olho de seu irmão, se ele próprio tivesse um grande pedaço de pau no próprio olho (cfr. vv. 41 e42).Aliás, ele nem seria capaz de ver a palhinha do olho do irmão. Somos todos inclinados a ver os defeitos do próximo, ainda que sejam os mais pequeninos, enquanto não vemos nossos próprios defeitos, às vezes enormes. Seria a maior incoerência. Jesus, nesta frase, como nas outras do texto, poderá até estar usando alguma fórmula proverbial. Afinal Ele é a fonte da sabedoria, e tudo o que há de sábio no mundo vem dessa mesma fonte eterna. São Paulo nos fala de “Cristo, no qual se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (CI 2, 3). Que autoridade teria alguém para corrigir os defeitos do próximo, se não corrigisse primeiro seus próprios defeitos? Essa incoerência lhe tiraria toda a autoridade. É fácil perceber que esta lição completa a primeira, do cego que quisesse guiar outro cego.

E vem a terceira lição, tão simples e tão bela! A árvore se conhece pelos seus frutos; e – completando – “não se colhem figos de um espinheiro, nem se vindimam uvas de uma sarça” (v. 44). Daí a importância de educar bem a juventude, de formar bem as pessoas. Elas serão as árvores boas, que produzirão para a sociedade bons frutos de trabalho, de honestidade, de responsabilidade. Não se governa um povo apenas com a força das leis e o medo das sanções penais, precisamos de homens bons. Eles procederão bem.

 

LEITURAS do VIII Domingo do Tempo Comum – Ano C:

1a)  Eclo 27, 5-8

2a) 1 Cor 15, 54-58

3a) Lc 6, 39-45