EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

XXX Domingo do Tempo Comum -ANO C

FARISEUS E PUBLICANOS

 https://www.youtube.com/watch?v=64g9NA1ucFY

Fariseus e publicanos são personagens que aparecem a cada momento nas páginas do Evangelho. Os fariseus, sempre fazendo oposição a Jesus, ,tentando criar – lhe embaraço, armando- lhe verdadeiras ciladas.

E claro que tinham inveja de Jesus, e tinham medo de que Ele assumisse entre o povo aquela hegemonia espiritual que eles julgavam ter.

Eram homens que observavam rigorosamente todos os preceitos da Lei e ainda lhes acrescentavam muitos outros, introduzidos pela tradição que eles mesmos ajudavam a criar.

Não podemos negar-lhes o mérito de ter preservado a pureza do judaísmo, não só em face do mundo pagão, mas também diante dos costumes helenísticos, que se iam introduzindo no povo. Eram de uma observância que poderíamos classificar de fanática. Pagavam dízimo da hortelã, do coentro e de outras ervas aromáticas. E, por isso mesmo, olhavam aos outros com desprezo e chamavam-nos “a gente da terra”.

O grande mal deles é que sua observância era de cunho formalístico e legalista. Não era acompanhada de uma força interior de amor à justiça e à verdade. Tornaram-se símbolos da hipocrisia.

Numa famosa objurgatória contra eles e os escribas, que se lê no capítulo XXIII de São Mateus e no capítulo XI de São Lucas, Jesus os chama de “sepulcros caiados”, que ostentam brancura por fora, mas por dentro são ossos apodrecidos ( cfr Mt 23, 27; Lc 11′ 44). Não que fossem todos assim. Havia fariseus que eram sinceros e realmente virtuosos. Basta lembrar Gamaliel, Nicodemos e o grande São Paulo. Por isso mesmo é que encontraram o caminho de Cristo.

Os publicanos eram cobradores de impostos. Mal vistos pelo povo, a começar pelo fato de estarem a serviço do poder imperial, e depois porque o sistema de arrecadação dos impostos permitia mil formas de extorquir dinheiro do povo, freqüentemente “publicano”, era sinônimo de “pecador”. Mas havia também publicanos virtuosos. Muitos deles foram ouvir João Batista e se tornaram seus discípulos. Como se tornaram também ouvintes de Jesus, atraídos sobretudo pela sua misericórdia (cfrLc 15, 1 ).

Mateus era publicano, e seguiu generosamente o chamado de Jesus, tornando-se apóstolo e depois evangelista. Belíssimo exemplo é também o de Zaqueu – era rico e publicano de alta categoria- que atendeu prontamente ao convite de Jesus, restituiu tudo o que pudesse ter ganho ilicitamente em sua profissão, e distribuiu aos pobres metade de seus bens.

Na famosa parábola que a Igreja nos faz ler neste domingo, o publicano é contraposto ao fariseu, dando-nos um belo exemplo de oração humilde: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador!” (Lc 18, 13). Não sei se há na Bíblia outro exemplo de ato de contrição tão bonito. Por isso mesmo, ele voltou para casa justificado, enquanto o fariseu voltou com todos os seus pecados. Afinal, ele não tinha feito propriamente uma oração. Tinha-se vangloriado diante de Deus de suas virtudes – pura observância exterior! -e tinha desprezado os outros: “Eu não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, e nem como esse publicano” (Ibid., v 11 ).

O cumprimento da lei de Deus que Jesus nos vem ensinar no Evangelho é totalmente diverso da observância dos fariseus; Jesus nos quer livres e sinceros. Não nos quer cumpridores da lei de maneira mesquinha, medrosa e escrupulosa, numa espécie de matemática da religião -“jejuo duas vezes por semana, pago dízimo de todos os meus rendimentos” (v. 12).

Mas quer principalmente a prática do amor ao próximo, que Ele definiu como seu “novo mandamento” e que está logo ao lado do maior dos mandamentos, que é o do amor de Deus. Quer uma observância que parta do coração, preocupando-nos não com uma pureza meramente exterior -como a dos fariseus, que limpavam com extremo cuidado ritual os copos e os pratos -mas com a pureza da lama, que pratica a justiça, a misericórdia e a fidelidade, que são as coisas mais importantes da Lei ( cfr Mt 23, 23).

A oração do publicano deve ser o modelo de nossa oração : humilde, sincera, cheia de confiança. Entre as várias fórmulas de ato de contrição sugeridas no novo ritual do sacramento da penitência, está justamente essa oração do publicano, dirigindo- a a Nosso Senhor Jesus Cristo: “Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, que sou um pecador”.

LEITURAS do xxx Domingo do Tempo Comum -Ano C:

1″) Eclo 35, 15b-17. 20-22a

2″) 2Tm 4, 6-8.16-18

3″) Lc 18, 9-14

EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

REFLEXÕES DE FREI CARLOS MESTERS,  O. CARM

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

DOMINGO DA 30ª SEMANA DA QUARESMA

1) Oração

Ó Deus, alegrando-nos cada ano com a celebração da Quaresma, possamos participar com fervor dos sacramentos pascais  e colher com alegria todos os seus frutos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Lucas 18, 9-14)

 Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas – Naquele tempo, 9Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros: 10Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. 11O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. 12Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. 13O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! 14Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. – Palavra da salvação.

3) Reflexão Lc 18,9-14

*  No Evangelho de hoje, Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano para ensinar como rezar. Jesus tinha outra maneira de ver as coisas da vida. Ele via algo de positivo no publicano, de quem todo mundo dizia: “Ele nem sabe rezar!” Jesus vivia tão unido ao Pai pela oração, que tudo se tornava expressão de oração para ele.

*  A maneira de apresentar a parábola é muito didática. Lucas dá uma breve introdução que serve como chave de leitura. Em seguida, Jesus conta a parábola e, no fim, o próprio Jesus faz a aplicação da parábola na vida.

Lucas 18,9: A introdução. A parábola é apresentada com a seguinte frase: “Jesus contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros!” A frase é de Lucas. Ela se refere, ao tempo de Jesus. Mas ela também se refere ao tempo do próprio Lucas e ao nosso tempo. Sempre há pessoas e grupos de pessoas que se consideram justos e fiéis e que desprezam os outros como ignorantes e infiéis.

Lucas 18,10-13: A parábola. Dois homens sobem ao templo para rezar: um fariseu e um publicano. Na opinião do povo daquela época, os publicanos não prestavam para nada e não podiam dirigir-se a Deus, pois eram pessoas impuras. Na parábola, o fariseu agradece a Deus por ser melhor do que os outros. A sua oração nada mais é do que um elogio de si mesmo, uma auto-exaltação das suas boas qualidades e um desprezo pelos outros e pelo próprio publicano. O publicano nem sequer levanta os olhos, bate no peito e apenas diz: “Meu Deus, tem dó de mim que sou um pecador!” Ele se coloca no seu lugar diante de Deus.

Lucas 18,14: A aplicação. Se Jesus tivesse deixado ao povo opinar para dizer quem dos dois voltou justificado para casa, todos teriam respondido: “É o fariseu!” Pois esta era a opinião comum naquela época. Jesus pensa diferente. Para ele, quem voltou justificado para casa, isto é, em boas relações com Deus, não é o fariseu, mas sim o publicano. Jesus virou tudo pelo avesso. As autoridades religiosas da época não devem ter gostado da aplicação que ele fez desta parábola.

Jesus Orante. É sobretudo Lucas que nos informa sobre a vida de oração de Jesus. Ele apresenta Jesus em constante oração. Eis uma lista de textos do evangelho de Lucas, nos quais Jesus aparece em oração: Lc 2,46-50; 3,21: 4,1-12; 4,16; 5,16; 6,12; 9,16.18.28; 10,21; 11,1; 22,32; 22,7-14; 22,40-46; 23,34; 23,46; 24,30. Lendo o evangelho de Lucas você poderá encontrar outros textos que falam da oração de Jesus. Jesus vivia em contato permanente com o Pai. A respiração da vida dele era fazer a vontade do Pai (Jo 5,19).

Jesus rezava muito e insistia, para que o povo e seus discípulos fizessem o mesmo, pois é no contato com Deus que a verdade aparece e que a pessoa se encontra consigo mesma em toda a sua realidade e humildade. Em Jesus, a oração estava intimamente ligada aos fatos concretos da vida e às decisões que ele devia tomar. Para poder ser fiel ao projeto do Pai, ele buscava estar a sós com Ele para escutá-lo. Jesus rezava os Salmos. Como todo judeu piedoso, conhecia-os de memória. Jesus chegou a fazer o seu próprio salmo. É o Pai Nosso. Sua vida era uma oração permanente: “Eu a cada momento faço o que o Pai me mostra para fazer!” (Jo 5,19.30). A ele se aplica o que diz o Salmo: “Eu sou oração!” (Sl 109,4).

4) Para um confronto pessoal

  1. Olhando no espelho desta parábola, eu sou como o fariseu ou como o publicano?
  2. Tem pessoas que dizem que não sabem rezar, mas elas conversam com Deus o tempo todo. Você conhece pessoas assim?

5) Oração final

Ó Deus, tem piedade de mim, conforme a tua misericórdia; no teu grande amor cancela o meu pecado. Lava-me de toda a minha culpa, e purifica-me de meu pecado. (Sl 50, 3-4)