EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

Domingo de Ramos -ANO C:  ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM

A GRANDE SEMANA

 Não há povo que não celebre sua história. Para renovar a alegria dos triunfos e para retomar a coragem para a vitória contra os reveses. E, como se pode verificar desde tempos imemoriais, prevalece nessas celebrações o aspecto cultual.

As festas são sobretudo festas religiosas. Porque no mais íntimo da consciência humana está a certeza da presença da divindade – concebida segundo a diversidade das concepções das várias culturas – guiando os acontecimentos humanos.

Isto é evidente sobretudo no povo de Israel, cuja história é como que escrita por Deus. E sua principal festa comemorativa é a páscoa, quando celebram a grande gesta do povo: sua libertação da escravidão do Egito, a vida nômade no deserto durante quarenta anos, o encontro de Moisés com Deus no Monte Sinai e a celebração da aliança de Javé com o povo, a entrada na Terra Prometida.

Ao celebrar a Páscoa, segundo um ritual cuidadosamente organizado, em que sobressaía a imolação do cordeiro pascal, o povo tinha a consciência de não apenas estar celebrando um acontecimento longínquo, mas de sentir-se de novo envolvido pela ação de Deus salvador em favor da nação. E assumiam a atitude religiosa que tinham vivido seus antepassados ao sair do Egito. Eles eram o povo de Deus e o Senhor era o Deus do povo.

Ainda no ritual moderno dos judeus pode-se ler o seguinte: “Em todas as gerações cada um deve considerar-se como tendo saído pessoalmente do Egito. ..O Santo dos Santos – que Ele seja louvado – libertou não somente nossos antepassados, mas também a nós com eles” (cfr ADOLF ADAM -“O Ano Litúrgico”, pag. 18).

Nós somos os herdeiros da Páscoa dos judeus. Os acontecimentos narrados no livro do Êxodo são prelúdio da obra salvífica realizada por Cristo. Ele é o novo Cordeiro pascal, que tira os pecados do mundo. Moisés libertou o povo da escravidão do Egito. Jesus liberta o mundo da escravidão do pecado e de todos os males. Sua Morte

e sua Ressurreição – o mistério pascal – são o centro de nossa história.

E é isso que celebramos com nobre solenidade na Semana Santa, relembrada, aliás, de maneira mais simples em cada domingo do ano, como ainda em cada celebração eucarística: “todas as vezes que celebramos este sacrifício, torna-se presente a nossa Redenção” (lit. do II domingo do T. Comum).

É uma celebração que atualiza o acontecimento do passado, uma vez que a doação sacrifical de Cristo no Calvário permanece viva e atuante no Homem-Deus glorificado, “que vive para sempre para interceder por nós” (Hb 7, 25).

É por tudo isso que vemos com alegria chegar a Semana Santa. É a celebração festiva do major acontecimento de nossa história -a História da Salvação. E ficamos felizes por ver o interesse que nossas comunidades de fiéis dedicam a essa celebração. Na sua maneira característica da religiosidade popular, querem reviver o grande drama da Paixão e Ressurreição do senhor.

Talvez não tenham aquela penetração teológica que gostaríamos de ver em todos, mas cada gesto humilde de sua participação nessas celebrações tem, sem dúvida, imenso valor diante de Deus. E se vai alimentando na comunidade a fé nos grandes mistérios, que correm o perigo de ficar esquecidos no turbilhão de preocupações que povoam o espírito dos homens deste final de segundo milênio.

As pessoas que acompanham as procissões do Encontro e do Senhor Morto, de certo modo se estão incorporando ao pequeno grupo dos fiéis discípulos que acompanharam o Divino Salvador na subida ao Calvário e lhe assistiram à morte e ao sepultamento.

E – graças, sobretudo, à maior conscientização sobre o valor total da Semana Santa – participam com viva alegria na celebração da Vigília Pascal e cantam com pleno júbilo os aleluias pela Ressurreição do Senhor. Todos estão sabendo que a Semana Santa não acaba na sexta- feira. Seu ponto culminante é a celebração da Ressurreição.

Na sexta-feira da Paixão, a liturgia canta uma antífona tirada da carta de Paulo aos Filipenses: “Cristo se fez por nós obediente até à morte, e morte de cruz”.

No sábado santo, repete a antífona, acrescentando a segunda parte do texto de São Paulo: “Por isso Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todos os nomes” (FL 2, 8-9). É toda a semana Santa!

LEITURAS do Domingo de Ramos – Ano C:

1a) Is 50, 4-7

2a) FI 2,6-11

3a) Lc 22, 14-23, 36