O AMANHECER DO EVANGELHO

EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE

PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CMFESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

A FAMíLIA DE NAZARÉ

São Lucas, que se pode chamar “o evangelista do coração”, tem páginas que tocam profundamente o coração da gente. É ele que conta a parábola do filho pródigo, a conversão do publicano Zaqueu, da pecadora Madalena e do ladrão crucificado ao lado de Jesus. Narra também vários fatos da infância de Jesus e coroa a história dessa infância, narrando o episódio da peregrinação a Jerusalém, quando o Menino se afastou da comitiva e só foi encontrado três dias depois, no Templo, encantando aos doutores com suas perguntas e suas respostas. As mães são aquelas que mais vivamente percebem a dolorosa beleza dessa página. Principalmente se é alguma mãe que teve a triste experiência de um filho afastado de casa, sem ela saber o paradeiro. Um seqüestro talvez! Curiosamente isso acontece às vezes em romarias, como aconteceu com Maria e José nessa peregrinação ao Templo.A Liturgia nos faz ler este episódio na missa deste domingo depois do Natal, que é dedicado a celebrar a Sagrada Família. E muito sabiamente! Muito pedagogicamente! Porque nesse episódio aparecem de maneira muito viva os valores da família: a dedicação e a responsabilidade dos pais, o tesouro que é um filho, a religião na família, o deixar-se guiar pela vontade de Deus, manifestado de maneira tão sublime nas palavras do Menino Jesus: “Não sabíeis que eu me devo ocupar nas coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). São Lucas registra que Maria ia guardando a lembrança de todas essas coisas no seu coração (Ibid., v 51).Ficou muito bem ter a Igreja colocado dentro das comemorações do mistério do Natal esse olhar para a Sagrada Família. Jesus quis passar por essa experiência. Não apareceu de repente já adulto, pregando ao povo. Como assinalou elegantemente o Papa Leão XIII, o divino Sol da justiça, antes de iluminar o mundo com a plenitude do seu esplendor, quis brilhar suavemente entre as paredes de um lar: a humilde casa de Nazaré.Aí nós encontramos o amor, a fé, a harmonia, o trabalho, a humildade. E podemos adivinhar a edificação e a presença serviçal que dessa casa se irradiavam para a vizinhança. Era como se uma estrela tivesse baixado à terra para iluminar de perto a pequena aldeia da Galiléia. A família – realidade tão sagrada! – tem sido muito agredida pela mentalidade materialista e hedonista dos tempos que estamos vivendo. A Igreja vê tudo isso com apreensão.E sabe que grande parte dos males da sociedade tem sua raiz na falta da família ou na família desajustada. Falta a preparação para o casamento, falta a seriedade do compromisso conjugal, falta o empenho para fazer de cada lar um ambiente de amor e de harmonia. Há muita família desajustada pela falta de recursos, por essa pobreza extrema que leva tanta gente ao desespero. Mas há também muita família desajustada, na qual não faltou o dinheiro, mas faltou o amor, faltou a coragem, faltou a fé. É mais do que sabido que com o dinheiro se constrói uma casa, até grande e luxuosa; mas com nenhum dinheiro deste mundo se constrói um lar.O lar é feito de valores mais altos, esses valores exatamente que o materialismo vai destruindo. Há muitos jovens por aí que tomaram caminhos desviados, não porque Ihes tivesse faltado em casa dinheiro e conforto; mas porque Ihes faltou a sensação de que eram realmente amados. Eles também – é claro! – podem ter contribuído para isso, influenciados, talvez, por maus exemplos. O problema é freqüentíssimo em casais divorciados! E a escola do divórcio está aí abrindo suas portas escancaradamente, sobretudo através das luzes e das cores das telenovelas. Quanta responsabilidade!O Concílio Vaticano II, na sua maravilhosa constituição sobre “A Igreja no mundo de hoje” -“Gaudium et Spes” – se estende ricamente sobre o problema da família. É preciso que os casais estudem esse documento. E aí aprenderão as melhores lições sobre o amor conjugal – gloriosamente ordenado à procriação de filhos -, sobre a educação da prole, sobre o lar como Igreja doméstica e escola de fé, sobre a família como primeira escola das virtudes sociais e como célula vital da sociedade, da qual, portanto, depende a saúde do corpo social.

Que a humilde casa de Nazaré ilumine com as luzes de seus sublimes exemplos cada família deste nosso planeta enlouquecido!

Leituras da Festa da Sagrada Família – Ano C:

1a) Sir 3,2-6,12-14

2a) CoI 3,12-21

3a) Lc 2,41-52

                                                                                            EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

(LECTIO DIVINA)

REFLEXOES E ILUSTRAÇÕES DE

PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

                                                                       FESTA DA SAGRADA FAMILIATodos os anos, os pais de Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando Jesus já estava com 12 anos, eles foram a Jerusalém para a Festa como era costume. Depois da Festa da Páscoa Maria e José voltaram de Nazaré, mas o menino permaneceu em Jerusalém, sem que seus pais percebessem. Eles julgavam que Jesus estivesse num dos grupos da caravana, por isso seguiram um dia inteiro de caminho.Só então começaram a procurar o menino entre os parentes e conhecidos. Mas, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém à sua procura. Três dias depois o encontraram. Jesus estava no templo, sentado entre os explicadores ou professores da Lei, ouvindo-os, interrogando-os. Todos os que ouviam a Jesus ficaram maravilhados com suas respostas e com sua sabedoria. Quando seus pais o encontraram, ficaram admirados e sua mãe lhe perguntou: “Meu filho, por que você agiu dessa maneira? Seu pai e eu estávamos aflitos, procurando por você”. Mas, Jesus lhes respondeu: “Por que me procuravam? Não se lembraram que a minha missão é dedicar-me às coisas de meu Pai?” Eles, porém, não compreenderam o significado daquelas palavras. Jesus voltou com José e Maria, para Nazaré e lhes obedecia em tudo. Sua mãe guardava todas as suas palavras em seu coração. E Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça diante de Deus e diante dos homens. (LC 2,41-52)UNIÃO DA FAMÍLIA: O SEGREDO DE UM MUNDO MELHOR

A Palavra de Deus, que acabamos de refletir, faz a gente pensar na dificuldade que a Sagrada Família passou e ao mesmo tempo nos ajudam a tirar alguns ensinamentos para as nossas famílias e ver em que podemos imitá-los:Foram todos eles para a festa da Páscoa.

A Sagrada Família nos dá exemplo de vida religiosa. “Foram todos eles para a festa da Páscoa”.

Há muitos pais, hoje, que apenas mandam os filhos irem à igreja. Isso não resolve nada. Há um ditado que diz assim “as palavras comovem mas os exemplos arrastam”. O importante é dar o exemplo. Não é mandar ir, mas ir com eles. Assim os nossos filhos vão aprender a viver num ambiente cristão e depois vão ensinar o mesmo para os filhos deles.

  • Voltaram a Jerusalém, procurando por ele.

A cena evangélica nos mostra o menino Deus perdido e depois encontrado por sua mãe, após 3 dias de angústias mortais na cidade de Jerusalém. Segundo autores sacros, esta foi a maior de todas as dores da Santíssima Virgem. Em todas as demais ocorrências dolorosas, Maria sofrerá debaixo dos olhares divinos de seu filho, e sua dor achará consolo na presença d’Aquele mesmo que a permite. Mas aqui, está sozinha, perdeu Jesus e Dele não terá consolo possível. Conta o evangelista que Maria procurou Jesus entre os grupos que vinham de Jerusalém para Nazaré, mas não o encontrou. Era costume entre os judeus, irem em duas caravanas: uma de mulheres e outra de homens. O menino poderia ficar tanto na caravana dos homens como na das mulheres. A menina ficava apenas na caravana das mulheres. Depois de cumprir o preceito em Jerusalém, Maria pensava que Jesus estava na caravana de José e José pensava que Jesus estava na caravana de Maria. Daí a confusão. 3 dias de caminhada até Nazaré.Não encontrando o menino entre as caravanas, Maria procura-O entre os parentes e amigos. Nova decepção. Aí, tão pouco não fora visto. E voltam a Jerusalém novamente. Através dessa cena nós podemos ver o exemplo de união na família de Jesus. Quando José e Maria perceberam que Jesus tinha sumido, a primeira providência que tomaram foi saírem imediatamente à procura do filho.Eles não procuraram saber de quem é que era a culpa do menino ter sumido. Mas, juntos, eles procuraram logo uma solução para o problema. Isso demonstra a harmonia que existia entre eles. Um poeta diz que “amar, não é um olhar para o outro, mas é olharem os dois na mesma direção”. Como seria bom se os casais se acostumassem a olharem os dois sempre na mesma direção! A procurarem, sempre unidos, a solução para os muitos problemas que todos nós temos!

  • Jesus voltou com seus pais para Nazaré

Depois que voltaram a Jerusalém, Maria e José encontraram o menino Jesus a conversar com os doutores da lei no Templo. E Jesus voltou com eles para Nazaré. Aqui, nós já vimos o exemplo do filho. Jesus sabia que ele era Deus. Mas ele queria nos dar exemplo de bom filho. “Ele voltou com eles para Nazaré, e era obediente”. É o exemplo da submissão dos filhos aos pais. É claro que os pais tem mais experiência, e que os filhos devem viver de acordo com eles. Assim, haverá harmonia na família. Mas os pais também tem que procurar oferecer o que há de melhor para os filhos: bons exemplos, antes de tudo.

 

  • Sua mãe ia guardando tudo no coração

Nossa Senhora nos dá exemplo aqui, de confiança no plano de Deus. Ela ia guardando todos aqueles acontecimentos no seu pensamento e no seu coração. Ela sabia enxergar o dedo de Deus em todos os momentos, em todos os atos. A gente terá muito mais paz se procurar descobrir, em tudo, a vontade de Deus. Procurar saber o que Deus quer de nós, com cada provação que ele nos envia, com cada alegria que ele nos proporciona.E Jesus ia crescendo em sabedoria

Por duas vezes, Lucas fala em crescimento na sabedoria e na graça. No evangelho de hoje, ao retornar do templo, e aos 12 anos, também ao voltar do templo. O templo era o lugar, a coisa mais sagrada que um hebreu tinha ou podia imaginar. Era o lugar da presença de Deus. Mas Jesus será o novo lugar da presença de Deus, o “novo templo”, erigido pelo Senhor e não pelas mãos dos homens (Hb 8,2). Nele e com ele, estava a sabedoria, isto é, a compreensão e o gosto pelas coisas de Deus. Nele e com ele, estava a graça de Deus e “de sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça”(Jo 1,16 ). Sua grandeza, porém, agora, está oculta numa vida de dia-a-dia no seio de uma família hebréia. Mais do que nunca, aplica-se, aqui, o verso do poeta francês: “O essencial é invisível”. Podemos ver aqui nesta passagem do Evangelho, o exemplo de uma perfeita assistência ao filho: “Jesus ia crescendo em sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e diante dos homens”.É necessário que a gente acompanhe os nossos filhos, orientando-os na vida. A família não deve apenas por os filhos no mundo. Mas dar-lhe uma educação para a vida. Criar, para eles, um ambiente de abertura, um ambiente de paz e alegria. Há muitos pais que nem se preocupam com a formação de seus filhos. São inúmeros os que não conhecem a escola onde eles estudam, nem conhecem seus professores. E os pais são os primeiros responsáveis na formação dos filhos. Os professores, apenas ajudam. É dever dos pais acompanhar em tudo a seus filhos, dialogar com eles, abrir-lhes os horizontes para um mundo melhor.