Não faltou pão para ninguém – Mateus 14, 13-21-
A Bíblia explicada em capítulos e versículos-
O amanhecer do Evangelho-
Reflexões, ilustrações e vídeos de Padre Lucas de Paula Almeida

Segunda feira, 01-08-2022 – 6, 24-35. –
Jo 6,24 35 – O Discurso do Pão da Vida – É um texto que exige toda uma vida para meditá-lo e aprofundá-lo. Um texto assim a gente deve ler, meditar, ler de novo, repetir, ruminar, como se faz com uma bala gostosa. Vai virando e virando na boca, até se gastar.
Segunda feira, 02-08-2021 – Discurso do Pão da Vida  – Os Vídeos e as homilias do Pe Lucas são incríveis.
https://youtu.be/jnostCQa1uE

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

Mateus 14, 13-21 – Não faltou pão para ninguém

1) Oração

Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os vosso filhos que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação, e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (Mateus 14, 13-21)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus – 13A essa notícia, Jesus partiu dali numa barca para se retirar a um lugar deserto, mas o povo soube e a multidão das cidades o seguiu a pé. 14Quando desembarcou, vendo Jesus essa numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes. 15Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia.16Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer. 17Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. 18Trazei-mos, disse-lhes ele. 19Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo. 20Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. 21Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças. – Palavra da salvação.

3) Reflexão: E NÃO FALTOU PÃO PARA NINGUÉM

Como no deserto Deus não deixou faltar comida para o povo israelita e Ihes mandou prodigiosamente o maná e as codornizes, assim saciou de pães e de peixes a multidão que o seguira nas imediações do lago de Tiberíades.Como também não deixará faltar até ao fim do mundo o Pão da Eucaristia para os que nele crerem. E um prazer ir descobrindo na leitura das Sagradas Escrituras como esses acontecimentos que se desenrolam no tempo estão ligados nos planos da eternidade.E não estranhamos ao descobrir ressonâncias da liturgia eucarística na narração do milagre da multiplicação dos pães. Sobretudo na redação de São Marcos: “Tomando os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu, abençoou, partiu os pães e deu-os aos discípulos para que lhos distribuíssem”. (Mc 6, 41 ).E os pães e os peixes foram sendo distribuídos fartamente, como água que fosse jorrando de uma fonte sem parar. Não foi preciso comprar duzentos denários de pão, como surgira na preocupação de Felipe. Entrou a gratuidade de Deus e sua infinita liberalidade, operando pelas mãos de Jesus.E todos se fartaram. E sobraram ainda doze cestos. Era o número dos apóstolos e era o símbolo da universalidade dos bens de Deus. Até ao fim do mundo não irá faltar o pão para o corpo, nem o pão para o espír1to: a palavra de Deus e a eucaristia, que aquela multiplicação de pães prefigurava.Como os Santos Padres já observavam, o milagre que Jesus faz é um pequeno milagre instantâneo, se comparado com o milagre continuado pelo qual Deus faz crescer as searas em toda a superfície da terra, ao longo dos anos e dos séculos, para que chegue o pão às mãos de todos os homens.O gesto de Jesus é lição para a Igreja, é lição para os cristãos. Não que devamos repetir o milagre. Ainda que mesmo isso Deus tenha concedido a alguns de seus servos, como Eliseu no Antigo Testamento (cfr 2Rs 4, 42-44).O que temos que aprender é cultivar o ritmo do trabalho honesto pelo qual a terra produzirá. Com fartura, e os bens da terra serão distribuídos. Com justiça, de modo que nem falte o pão a quem tem fome, nem sobre para quem não tem fome.Penso que essa mensagem está implícita nesta página do Evangelho. Não é apenas um convite a adorar o poder taumatúrgico de Jesus e sua misericórdia que se compadeceu daquela gente humilde. Nem é só a lição de que a Providência de Deus premia os que Vão em busca da Palavra de Deus.Eles sabem que não só de pão vive o homem; mas Deus sabe que os homens precisam também de pão; e têm o direito de rezar não só para que o nome de Deus seja santificado, para que seu reino venha e sua vontade seja feita na terra e no céu; mas têm também o direito de pedir o pão de cada dia. Jesus os ensinou tudo isso, quando ensinou seus discípulos a rezar.A lição evangélica aponta, porém, certamente para nossa responsabilidade em face da distribuição dos bens da terra. Deus criou o homem e o pôs na terra para que a governasse. Não para que a subjugasse despoticamente. Destinou a terra para todos, e não é justo que apenas um pequeno grupo se aposse dela, fazendo faltar terra para os que precisam e podem trabalhar.“Sejam quais forem as formas de propriedade, adaptadas às legítimas instituições dos povos, segundo circunstâncias diversas e mutáveis, deve-se atender sempre a esta destinação universal dos bens” (G S 69/430). Isso é 0 que ensinou o Concílio Vaticano lI.Como ensinou o dever de uma justa distribuição das terras, o dever da honestidade nos negócios, a harmonia entre o capital e o trabalho, a dignidade do homem, que jamais deve ser sacrificada aos valores econômicos.Se a luz do Evangelho iluminar o caminho dos homens, a terra será sempre a grande mãe fecunda de bens para todos os seus filhos. Não haverá desperdício nem miséria. E, onde houver necessitados, não faltará quem os socorra. E aquela multidão alimentada pelo pão do milagre de Jesus estará presente e multiplicada em toda a terra, alimentada pelo milagre do trabalho honesto, da justiça respeitada, da caridade solícita e da fé em Deus sempre presente.

Depois Final
Acompanhai, ó Deus, com proteção constante os que renovastes com o pão do céu e, como não cessais de alimentá-los, tornai-os dignos da salvação eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

LEITURAS DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A:

1a) Is 55,1-3

2a) Rom 8,35.37-39

3a) Mt 14,13-21

O AMANHECER DO EVANGELHO

REFLEXÕES E ILUSTRAÇÕES DE PE. LUCAS DE PAULA ALMEIDA, CM

DOMINGO DA XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM

NÃO FALTOU PÃO PARA NINGUÉM

Jesus é o grande sinal de esperança que brilha no Evangelho. Todos acorrem a Ele, para ouvir sua palavra, para pedir cura para seus doentes, e para dele receber conforto e coragem. E, mesmo inconscientemente, lá no fundo de seu coração, o que estão procurando é o encontro com Deus. Se Deus nos fez para Ele – é Santo Agostinho que o recorda – nosso coração vive inquieto, enquanto não se encontrar com Ele. O Evangelho, em todas as maravilhas de suas narrações, é o grande encontro do povo com Jesus, preludiando o encontro com o mundo inteiro, que vai acontecendo e continuará a acontecer ao longo dos séculos: Jesus Cristo ontem, hoje e sempre.Hoje relemos, num dos belos momentos em que Jesus se mostrou como sinal de esperança, o milagre da multiplicação dos pães.É um dos dois milagres de multiplicação que os evangelistas nos narram, sendo que um deles é trazido só por São Mateus e São Marcos, ao passo que este é narrado pelos três sinópticos e ainda por São João. E é justamente depois desse milagre, que São João nos traz o duplo discurso de Jesus sobre o “Pão da vida”: o Pão da fé e o Pão da Eucaristia.A multidão viera ao encontro de Jesus, em busca de sua palavra e de seus milagres. De Cafarnaum onde se encontrava, Ele quis retirar-se para um lugar deserto – perto de Betsaida, como nos informa São Lucas -e para isso tomou uma barca. Mas o povo foi por terra e, quando Ele desembarcou, viu-se diante de muita gente. Teve pena deles, curou os doentes que lhe foram apresentados, e pregou para todos o Reino de Deus, no que se prolongou até o cair da tarde.Foi quando os discípulos se aproximaram dele e lhe fizeram ver que era tarde e o lugar era deserto. Que ele então despedisse o povo, para que pudessem ir às aldeias vizinhas para comprar alimentos. Mas o pensamento de Jesus era muito diferente. Não se devia falar em comprar. Ia acontecer uma grande hora de gratuidade.“Não precisam ir comprar- disse Ele; dai-Ihes vós mesmos de comer”. Como dar de comer – perguntavam eles – se, procurando tudo o de que dispunham, não podiam contar senão com cinco pães e dois peixes? Mas Jesus, sem se perturbar, com majestosa serenidade, disse a eles que fizessem o povo sentar-se na relva verde.Era perto da Páscoa e era primavera. Eles se sentaram em grupos de cinqüenta e de cem: a cena ficou muito bonita.. São Marcos usa uma palavra que significa “canteiros” para Indicar os grupos assim formados. Porque, na verdade, sentados no verde do campo e com as diferentes cores de suas túnicas e de seus turbantes, formavam como que canteiros floridos.Jesus tomou o pão e os peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e os peixes, deu-os aos discípulos e eles os deram ao povo (É fácil perceber nesta narração a influência do rito eucarístico). E aconteceu o milagre! Como água que vai jorrando de uma fonte ininterruptamente, os pães e os peixes foram brotando das mãos dos discípulos, à medida que eles os iam dando ao povo. Todos comeram à farta. No fim, Jesus mandou que se recolhessem os pedaços que tinham sobrado; e se recolheram doze cestos, sendo que o número dos que haviam comido era cerca de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças (cfr Mt 14,13-21 ).Talvez a grande lição deste milagre possa ser a de que nós também seremos capazes de repetir o prodígio da multiplicação, se soubermos pôr em prática a gratuidade. Se, em vez de nos apegarmos àquele pouco ou àquele muito que tivermos, formos capazes de distribuir com quem precisa. Se fizermos assim, não faltará comida para ninguém. Será o mundo da fraternidade. Onde ninguém se sentirá feliz, se seu irmão não estiver feliz também. Longe o egoísmo! Longe a ganância! Cresça o amor e a fraternidade! Esse é o princípio que deveria estar na base de todos os sistemas econômicos.

LEITURAS DO XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A:

1a) Is 55,1-3

2a) Rom 8,35.37-39

3a) Mt 14,13-21